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    sobre o aborto
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    Uma ótima mensagem de Takayoshi Katagiri
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    Uma excelente reflexão com o Pr. Ricardo Gondim
    sobre tratar o Evangelho de Cristo como um produto e propaganda de marketing
  • Quando o sacrifício de Jesus não vale nada!
    Uma ótima reflexão com o Pr. Luiz Carlos Alves
    sobre a fé e superstições
  • Morra, para que outros possam viver
    Uma excelente reflexão sobre o tipo de evangelho que
    tem sido pregado hoje, com Juliano Son do Ministério Livres para Adorar

Obrigado pela sua visita! E não deixem de comentar os artigos!!!

domingo, 29 de outubro de 2017

A reforma protestante em 5 pontos

Por: ultimatojovem
A Reforma Protestante em 5 pontos


O lema da revolução espiritual da Reforma Protestante continua vivo e pertinente: “Ecclesia reformata, semper reformanda est”, em bom português, “Igreja reformada, sempre se reformando”. Aqui vai um guia para as 5 "Solas", os princípios que nortearam o movimento:

Sola Scriptura

Só a Escritura:

“Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (1Tm 3.16,17)
Durante a Idade Média a Igreja Cristã perdeu de vista que o único referencial autorizativo para questões de fé e prática é a Bíblia Sagrada, também denominada de Escritura. A tradição, a palavra do Papa, as decisões dos Concílios, a razão e os sentimentos se introduziram como “concorrentes”. A Reforma do século XVI resgatou o princípio de que somente a Palavra de Deus pode decidir sobre o que deve ser crido e como a vida cristã deve ser vivida. Diante do tribunal que exigia sua retratação, Lutero disse: “Minha consciência está alicerçada pela Palavra de Deus […] Assim Deus me ajude. Amém!”

Sola Gratia

Só a Graça:

“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9)
“Graça é o favor divino, imerecido, que elege, redime, regenera e preserva o pecador para promovê-lo ao céu”. Com o passar dos séculos, a Igreja cristã introduziu na sua compreensão de salvação a ideia do mérito, desviando-se do padrão apostólico original. Na teologia medieval, formulada por Tomás de Aquino, a natureza humana passou a ser considerada potencialmente boa, rompendo-se radicalmente com o conceito bíblico, também defendido por Agostinho, de que o homem nasce com o coração corrompido. “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.10-13).

Sola Fide

Só a Fé:

“[…] visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé” (Rm 1.17)
A justificação somente pela fé foi a grande redescoberta que proporcionou a conversão de Martinho Lutero. Por muitos anos, desde que se tornara monge agostiniano, sua alma permanecia sem paz, uma vez que a doutrina oficial da Igreja dizia que a salvação era alcançada através das obras. A Reforma começou com a negação radical dessa ideia antibíblica, quando Lutero fixou suas 95 teses na porta da Igreja em Wittemberg como uma reação à infame venda de indulgências – certificado emitido pelo Papa e vendido para quem desejasse ter seus pecados perdoados. “O homem não é justificado por obras da lei e sim mediante a fé em Cristo Jesus” (Gl 2.16). Esse foi o entendimento e o ensino claro dos apóstolos sobre o único meio através do qual o pecador pode ser salvo – mediante a fé!

Solus Christus

Só Cristo:

“E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12)
O único Mediador entre Deus e os homens é Jesus Cristo. Esse foi o ensino apostólico: “Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5). Na era medieval, a Igreja se distanciou desse padrão introduzindo os sacerdotes, os santos, a própria Igreja e a Virgem Maria como mediadores concorrentes de Jesus Cristo. A Reforma enxergou com clareza esse desvio e o corrigiu, retornando ao padrão apostólico. Ninguém pode usurpar o lugar exclusivo de Jesus Cristo na salvação dos homens – Só Ele conseguiu viver sem pecar contra Lei de Deus e só Ele morreu como um inocente no lugar de pecadores culpados. Ele é o “Cordeiro de Deus” (Jo 1.36).

Soli Deo Gloria

Glória só a Deus:

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31)
A mais exigente declaração dentre os cinco pontos cardeais da Reforma é essa que estabelece toda glória a Deus. A era medieval corrompeu aos poucos esse padrão apostólico, transformando a fé cristã numa religião centrada no homem e não em Deus. A doutrina exaltava o homem, o culto era antropocêntrico, a Igreja transformou-se numa agência política e o sacerdócio era mais profano do que sagrado. O espetáculo da idolatria reinante na cristandade medieval era a mais gritante evidência de que o interesse pela glória de Deus havia sido abandonado. A teologia de João Calvino enfatiza compreensivelmente a soberania divina pela simples razão de tributar toda glória a Deus. O luterano J.S. Bach assinava todas as suas partituras com SDG, “Soli Deo Gloria”.

Texto retirado do folheto da
Igreja Presbiteriana Cidade Nova
em comemoração aos 500 anos da Reforma Protestante.

Visto primeiro em: ultimato.com.br


Momentos de Reflexão

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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Evangélicos sem o Evangelho

Por: Marcelo Berti
Titulo original: As heresias favoritas dos evangélicos


Não é novidade que a liderança da igreja evangélica contemporânea tem falhado no ensino e instrução de suas igrejas. Enquanto o apelo pelo funcional e prático transformou os cultos um modo de moeda de troca pelo benefício da popularidade, o moralismo e o legalismo se tornaram a referência da espiritualidade da igreja. Pouco tempo se investe em questões de natureza ontológica, e muito tempo em questões práticas. Não é à toa que tal inversão de valores [em comparação com a igreja dos primeiros séculos] tem criado um rebanho imaturo e despreparado para defender sua própria fé. Isso fica evidente na pesquisa publicada hoje (28/Out/14) pelo LifeWay Research intitulada “Americans believe in heaven, hell and a lit bit of heresy” (Americanos acreditam no céu, inferno e em algumas heresias). De acordo com Stephen Nichols, o diretor acadêmico do Ligonier Ministries, a pesquisa “revela um significante nível de confusão teológica“. Ed Stetzer afirma que o cristão norte-americano “gosta de acreditar em um tipo de Deus quase-cristão com doutrinas de padaria". No entanto, quando perguntado sobre doutrinas mais complexas, coisas que a igreja considerou e continua a considerar como ortodoxia, os números mudam.

SOBRE A TRINDADE

É assustador como o conceito da Trindade não é compreendido pelos cristãos de modo geral. Aquela doutrina considerada parte integral das mais importantes doutrinas do cristianismo parece não ter clara definição no credo do cristão comum norte-americano. De acordo com a pesquisa cerca de 70% dos americanos acreditam que existe apenas um Deus que subsiste em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo. Ao mesmo tempo, 58% dos evangélicos entendem o Espírito Santo como uma força e não como uma pessoa, enquanto 17% acreditam que Jesus Cristo é primeira criatura. Entre os Católicos o número é ainda mais assustador: 75% acreditam que o ES é uma força, não uma pessoa e 28% entendem a Cristo como a primeira criatura criada por Deus. Para piorar, 15% dos cristãos acredita o ES é menos divino que o Pai, enquanto 33% acreditam que o Pai e mais divino que o Filho. A confusão teológica aqui é clara, pois é evidente que a definição adotada é negada pelas definições que assumem. Ao que parece, boa parte dos cristãos tem dificuldade para entender o conceito.

SOBRE A BÍBLIA

De acordo com a mesma pesquisa, apenas 48% dos americanos acreditam que a Bíblia é de fato a Palavra de Deus. Entre os evangélicos, enquanto 18% entendem que a Bíblia tem sua utilidade, mas que ela não é literalmente verdadeira, apenas 76% afirmam que a Bíblia é 100% verdadeira em tudo o que ensina. Entre os protestantes não evangélicos, 50% deles afirmam que a Bíblia, apesar de sua utilidade, não é literalmente verdadeira e apenas 36% acreditam que a Bíblia é de fato verdadeira. Mas, a pior parte não é a latente confusão teológica em relação a Bíblia, mas a visão que os americanos tem em relação a outros livros religiosos. Por exemplo, 10% dos americanos afirmam que o Livro de Mórmon é inspirado por Deus enquanto 36% não tem certeza do mesmo.

SOBRE A SALVAÇÃO

No que se refere à salvação, 68% dos evangélicos afirmam que a humanidade primeiro busca a Deus, que então responde com Sua graça; 56% dos evangélicos afirmam que a salvação é realizada em cooperação com Deus; 67% consideram que a humanidade está habilitada a voltar-se a Deus por iniciativa própria. Por outro lado, apenas 18% acreditam que a salvação é meritória, baseado em atos de bondade realizados no passado ou presente. Um dado interessante é que a visão da auto-suficiência para salvação também afeta a visão que o cristão tem da igreja e da necessidade de outras pessoas para a saúde de sua vida espiritual. Cerca de 52% afirmam que a adoração solitária tem o mesmo papel que a adoração comunitária, e por isso não veem necessidade estarem conectados a uma igreja. 56% acreditam que o sermão pastoral não tem qualquer autoridade sobre suas vidas e 45% acreditam que a Bíblia foi escrita para eles como indivíduos e que como tal, eles tem o direito de interpretar as escrituras como quiserem.

RESUMO DA ÓPERA

Caso ainda não tenha ficado evidente, no evangelicalismo norte-americano sobrevivem três diferentes heresias históricas:
  1. Arianismo

    A visão trinitaria apresentada pelos evangélicos americanos em muito se assemelha com a doutrina heterodoxa de Ário, o presbítero do quarto século que ganhou notoriedade ao ensinar que Cristo era a primeira criatura criada por Deus. Dificilmente os cristãos dos nossos dias conhecem esse homem com detalhes suficientes para defender suas idéias baseadas no seu ensino. Talvez parte da confusão tenha sido semeada pelo investimento ‘missionário’ das igrejas unitaristas e movimentos neo-arianos dos nossos dias. Entretanto, o que é evidente é que a cultura de consumismo religioso tem extirpado da igreja a necessidade do ensino aprofundado das escrituras e criado um cristianismo aquém das Escrituras.
  2. Humanismo

    A visão elevada do homem e de sua auto-suficiencia tem influenciado o pensamento cristão de tal modo que a salvação tem sido vista como meritória. Em uma cultura na qual o indivíduo é senhor do seu destino (acadêmico, profissional), o cristão assume que seu relacionamento com Deus é realizado do mesmo modo. Entre os americanos a idéia de ‘eu faço’ ou ‘eu posso’ faz parte de sua cultura, e infelizmente tal ideologia parece ter também invadido a mentalidade dos cristãos. R.C. Sproul afirma que essa pesquisa aponta “o que fica claro nessa pesquisa é a penetrante influência do humanismo.” Tal humanismo não afeta apenas a percepção da salvação do indivíduo, mas também da necessidade da comunidade para uma vida cristã saudável. O humanismo tem gerado nas igrejas homens solitários que pensam viver o evangelho isolados do corpo de Cristo.
  3. Pelagianismo

    A visão da auto-suficiência humana tem levado cristãos a afirmarem que a humanidade é habilitada para voltar-se a Deus sem que qualquer agência divina seja necessária. Aos poucos, o evangelicalismo norte-americano volta-se para a doutrina de Pelágio, o monge Britânico que defendeu que o pecado de Adão afetou apenas a Adão e não sua posteridade, e que, portanto, a humanidade não é inábil para adquirir sua própria salvação. Essa mesma heresia que foi tão combatida por Agostinho, encontrou nos ensinos de Pedro Abelardo e Pedro Lombardo seu caminho de volta para a igreja Católica Romana. Hoje tal doutrina volta a ameaçar a sã doutrina através dos pregadores da prosperidade e pelo humanismo latente da cultura norte-americana.

UM APELO AOS PASTORES

Ninguém pode garantir que os números da igreja norte-americana representam a realidade da igreja brasileira, mas meu palpite é que os números não serão muito diferentes dos que vimos acima. Apesar do humanismo impactar a igreja brasileira de outros modos, as mesmas três doutrinas estão vivas e muito bem na igreja brasileira.

Por isso, gostaria de conclamar nossos pastores para que observem a realidade da igreja dos nossos dias e ouçam o conselho de Paulo para cuidar da doutrina que lhes foi confiada. Não acreditem em fórmulas de sucesso manufaturadas pelo humanismo, nem se rendam a popularidade. Evitem tanto quanto puderem a superficialidade bíblica e teológica. Não acreditem na mentira do pragmatismo de que as escrituras não funcionam. Não abandonem o ensino das escrituras, o discipulado dos cristãos e a mentoria dos líderes da igreja, custe o que custar. Afinal, nós precisamos voltar ao evangelho. Nós precisamos ensinar em nossas igrejas a mensagem dos apóstolos, aquela mensagem que levou os à morte e não ao ‘sucesso’. Aquela mensagem que era considerada loucura tanto por gregos como pelos judeus, mas que ainda assim os apóstolos deram suas vidas para levar às igrejas. Nós precisamos aprender a perseverar na doutrina dos apóstolos, como a comunidade primitiva fazia.

Enquanto o show for mais importante que a adoração, a individualidade mais importante que a comunidade, a superficialidade mais importante que o ensino das escrituras, a multiplicação de participantes mais importante que o discipulado de cristãos, a heresia será apenas mais uma convidada no show de horrores do cristianismo contemporâneo.
Marcelo Berti
Fonte: www.napec.org

Momentos de Reflexão

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segunda-feira, 6 de março de 2017

Casamento em Cristo

Foi da vontade de Deus que o homem não permanecesse só. Por isso, Deus instituiu o casamento. E para completar o homem, Deus criou a mulher. Deus formou a mulher das costelas do homem (Gn 2:21), para que fosse parte dele; deste modo o homem não está completo sem a sua mulher, nem tampouco a mulher sem seu marido. Em sua infinita sabedoria, Deus fez que homem e mulher se dependessem mutuamente, para que ninguém, por força, impusesse autoridade sobre o outro:

“Todavia, no Senhor, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher. Pois, assim como a mulher veio do homem, assim também o homem nasce da mulher, mas tudo vem de Deus” (1 Cor 11:11-12)

Embora seja do agrado do Pai que a mulher sirva seu marido, esta relação deve sempre ser estabelecida pela verdade de que somos todos servos do Senhor. Servir ao marido não deve ser um peso para a mulher:

“Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor; Mas, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o sejam em tudo a seus maridos” (Ef 5:22,24)

A vontade de Deus é que a mulher sirva seu marido como se servisse a Cristo. O que rege nosso serviço e devoção a Cristo é o amor; desta forma também é o amor que deve reger a vontade da mulher servir seu marido.

Da mesma maneira ser “senhor” de sua mulher jamais deve ser motivo de opressão no casamento:

“Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo” (Ef 5:25,28)

Agora parem e analisem o peso deste mandamento...

O amor do marido para com sua esposa deve ser como o amor de Cristo para com Sua Igreja! Vocês conseguem imaginar Cristo maltratando, desprezando, ou abandonando Sua Igreja? Impossível!

Grande é nossa responsabilidade como maridos! Será que isso consegue nos motivar a buscar o melhor para nossas esposas a cada dia mais e mais?

Esposas, será que a grande responsabilidade que recai sobre o seu marido não consegue motivá-las a servirem ainda mais de coração aberto este que zela pelo seu bem estar com tamanha dedicação?

Este amor que nos rege é um amor dedicado e de renúncias. Renunciar a si mesmo em favor de seu cônjuge não é fardo, é força!

Que o amor de Cristo seja o alicerce do nosso casamento, para que reine sempre em nosso lar o respeito, a gratidão e a cumplicidade tão necessários à manutenção de qualquer relacionamento.

“Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne” (Gn 2:24)

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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Sabonetes ungidos e a necessidade de uma reforma

Por: Renato Vargens
Título original: Sabonetes ungidos, a venda de indulgências modernas e a necessidade de uma reforma agora


Tenho vergonha do comércio e da barganha promovida pelos adeptos da teologia da prosperidade.

Tenho absoluta certeza que se o reformador alemão Martinho Lutero fosse vivo estaria na linha de frente contra os ensinamentos espúrios feitos por esse povo que só pensa em dinheiro. Isto afirmo baseado no fato de que tudo aquilo que os reformadores lutaram como, superstição, misticismo, idolatria, venda das indulgências, autoritarismo papal, está indubitavelmente enraizado no neopentecostalismo.

Há pouco descobri um site onde dentre outros artefatos comercializa-se sabonetes ungidos... (aqui).

Caro leitor, como já escrevi anteriormente a IURD não pode ser considerada uma igreja evangélica (Aqui), mesmo porque, o que ela prega e ensina em muito se contrapõe aos ensinos do protestantismo.

Confesso que ao olhar aberrações deste povo, seus falsos profetas (aqui) bem como a moderna venda de indulgências, é inevitável não lembrar das 95 teses de Lutero. (aqui)

Prezado irmão, diante tamanha aberração falta-me palavras para retratar minha indignação! O que fizeram do cristianismo? Que evangelho louco é esse? Ora, este não é, não foi e nunca será o Evangelho do meu Senhor.

31 de outubro se aproxima e com ele a possibilidade de refletirmos à luz da história sobre o significado e importância da Reforma. Acredito piamente que os conceitos pregados pelos reformadores precisam ser resgatados e proclamados a quantos pudermos, até porque, somente assim, poderemos novamente sair deste momento preocupante e patológico da Igreja evangélica.

Voltemos ao Evangelho!

Renato Vargens
Fonte: renatovargens.blogspot.com.br

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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Chega de prometer bênção

Por: Ricardo Gondim

Chega de prometer bênção. Não dá mais para aguentar tanta promessa de bênção. Como continuar ouvindo pastores a distribuir riqueza, felicidade e proteção divina em cada culto? Milagres, segundo o que dizem, chegam para todos, aos borbotões. Alcançar patamares superiores por meio de um benefício divino tornou-se quase uma obsessão. Evangélicos no Brasil, principalmente, ganharam uma voracidade incrível por socorros vindos do além. Promete-se tanta riqueza, tanta saúde física e tanto bem estar que, pelo número de campanhas de oração, o país já devia ter melhorado em vários índices de qualidade de vida. Pastores produzem tantas maravilhas que eles mesmos ficam sob suspeita. Já daria para esperar maior distribuição da renda nacional; e quem sabe, menos fila nos hospitais...

Chega de prometer bênção. A espiritualidade cristã com suas orações, ritos e expectativas não gira em torno da gula de receber benefícios celestiais. A ênfase dos evangelhos não se resume a um só tema. Jesus lembrou os primeiros discípulos que antes deles se preocuparem em salvar a vida, precisariam estar dispostos a perdê-la (Marcos 8:35). A grandeza de uma causa não é determinada pelo que seus seguidores ganham ao segui-la, mas pelo preço que eles se dispõem a pagar por ela.

Chega de prometer bênção. Os auditórios lotados de pessoas ávidas por receber uma vantagem sobre os demais favorecem egocentrismo. Há pouco vi um adesivo no vidro traseiro de um carro que dizia: “Presente de Deus”. Pensei, imediatamente: Por que Deus se mobilizaria para presentear apenas um dos seus apaniguados, mas não se incomoda em dar transporte público de qualidade para milhões de outras pessoas? Avidez espiritual cria o ciclo vicioso de quanto mais alguém promete, mais tem gente querendo receber. E essa roda não para nunca. O salmo 106 denuncia o comportamento dos judeus no tempo da libertação do cativeiro egípcio. Depois de um livramento, o povo parecia não se saciar. A cada sinal, cobrava mais uma intervenção sobrenatural. O fascínio pela próxima intervenção divina transformou-se em cobiça. O versículo 15 trás uma dura sentença: "Deus concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma”.

Chega de prometer bênção. A Bíblia não pode ser encolhida a um estojo repleto de afirmações otimistas. Para legitimar o discurso ufanista e prático, a maioria dos pastores cita textos convenientemente sacados do Antigo Testamento; servem apenas as promessas espetaculares do período anterior ao exílio. Alguns chegam a dizer que o Eclesiastes, com sua abordagem crua, não devia sequer constar entre os livros sagrados. Esses sermões, que procuram enfatizar bênçãos, deixam de lado textos contundentes do Novo Testamento. Em muitos, os cristãos são convocados a enfrentar um mundo violento e doloroso. Jesus não dourou a pílula para os que ousavam segui-lo. Ele jamais encobriu a verdade ao advertir: "No mundo, vocês vão passar por aflições" (João 16:33). Paulo também lembrou os primeiros cristãos que eles não podiam fantasiar que viveriam numa redoma de prosperidade: "E, tendo anunciado o Evangelho naquela cidade e feito muito discípulos, voltaram… fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, por meio de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus (Atos 14:21-22). O Apocalipse deixou claro que era preciso coragem: "Não tenha medo das coisas que você terá de sofrer” (Apocalipse 2:10).

Chega de prometer bênção. Na narrativa sobre a tentação de Jesus (Mateus 4) quem se obriga verbalmente a dar tudo, se for adorado, é o diabo. A espiritualidade judaico-cristã não se estabeleceu na lógica do utilitarismo. Deus não busca relacionamento baseado naquilo que ele pode dar. Todo o amor só se estabelece na gratuidade, e em admiração mútua – inclusive o divino. No livro de Jó, Satanás fez uma acusação gravíssima contra Deus. O acusador tentou dizer que Deus só é amado porque suborna os filhos: "Porventura, Jó teme a Deus de graça?" (Jó 1:9). A narrativa poética do livro ensina que, de fato, o Senhor não era amado por suas inúmeras bênçãos sobre a vida e a família de Jó.

Os milagres carregam em si uma terrível consequência, condicionam a fé à comodidade e ao proveito. O ladrão da cruz pediu um derradeiro milagre – seguramente necessário – em proveito próprio. Se saísse daquela condição, ele teria uma prova de que Jesus era de fato o filho de Deus. O ladrão condicionou a fé a um salvamento pessoal. Crer seria uma espécie de gorjeta que o mau ladrão devolveria aos pés de Jesus, caso escapasse da morte. Jesus não lhe dá ouvidos. Se, na derradeira hora, ele não percebesse o maior de todos os milagres – Deus morrendo numa cruz – um alívio temporário não bastaria para lhe convencer de nada.

Chega de prometer bênção. A virtude cristã que se deve buscar prioritariamente é a justiça. No Sermão da Montanha, só os que têm fome e sede de justiça serão fartos (Mateus 5:6). Quando o cristianismo destaca a promoção da justiça, todas as demais bênçãos se tornam secundárias (Mateus 6:33). Aliás, não existe pregação legitimamente evangélica sem a busca do que chamamos de liberdade, direito, gentileza, solidariedade. A vida. O reino de Deus não é comida, nem bebida, mas justiça e paz e alegria no Espírito Santo (Romanos 14:1).

Quem alardeia milagre é charlatão, mero propagandista de um produto falsificado. Antes de saírem à cata de privilégios, os crentes deviam lutar para que se cumpra na vida deles, Isaías 61:3: A fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.

Soli Deo Gloria


Pr. Ricardo Gondim
Fonte: www.ricardogondim.com.br

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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O louco, o sábio e os porcos

Em uma pequena cidade habitava um prisioneiro descontrolado. Dada a sua agressividade sobrevivia isolado do mundo, ninguém ousava se aproximar dele.

Um viajante, homem sábio, justo e de bom coração, navegou até lá. Ele foi ao encontro do excluído criminoso.

Tão logo o sábio desembarcara, fora recebido pela vil criatura (ninguém mais o enxergava como gente). O encontro foi chocante, mas a paz que o sábio homem carregava subjugou toda a violência do sanguinário malfeitor. O sábio era um especialista em restauração de vidas...

Aquele ser, outrora repugnante, agora era de novo um homem. Estava livre, limpo, com seus pensamentos ordenados. Fora restaurado!

Mas no processo de cura algo fugiu à normalidade. Uma grande vara de porcos (cerca de dois mil) se perdeu, morreram afogados.

Os criadores dos porcos, vendo o homem agora são, reestabelecido e os porcos que se perderam, ficaram furiosos e não demorou até que inflamassem toda a cidade.

O desfecho da história fora trágico. O bondoso sábio fora expulso, a despeito do bem feito ao homem e de tudo o mais o que ele ainda poderia fazer naquela região.

Aquele povo esteve diante de uma decisão e ao ponderar entre o valor da vida humana e os benefícios cedidos à ela e, o valor da vida dos bichos, o povo escolheu os bichos. Entre o bom e sábio homem e os porcos, eles escolheram os porcos!

(História verídica. Leiam em Marcos:5:1-17)

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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A dificuldade de orar

Por: Mark Jones



Oração não é fácil. Eu vejo que isso é verdade para mim, mas outros que têm meu respeito também dão testemunho da dificuldade de orar. Alguns indivíduos fazem parecer fácil; se eles passam horas por dia na tenda do encontro, provavelmente eles levam também o computador para lá.

Considere os seguintes testemunhos, que são de cheios de pensamentos que, muito curiosamente, não são normalmente ouvidos quando as pessoas dão seus testemunhos:

“Tudo que fazemos na vida cristã é mais fácil que orar” (Martyn Lloyd-Jones)

... “Não há nada em que somos tão ruins em todos os nossos dias do que na oração” (Alexander Whyte)

“Houve momentos em minha vida em que preferia morrer a orar” (Thomas Shepard)

Imagine Thomas Shepard dizendo essas palavras após ser levado para a frente da igreja para “falar sobre as coisas maravilhosas que Deus tem feito em sua vida”. Seja qual for o caso, eu considero um tanto confortante as palavras destes homens citados. De fato, leia isso de John Bunyan:

“Eu posso falar por experiência própria, e a partir dela contar-lhe sobre a dificuldade de orar a Deus como devia; isso é o suficiente para me fazer pobre, cego, carnal, para cultivar estranhos pensamentos sobre mim. Pois, quanto ao meu coração, quando eu saio para orar, eu descubro tanta relutância em ir a Deus, e quando estou com ele, tanta relutância em continuar ali, que muitas vezes, em minhas orações, eu sou forçado a primeiro implorar a Deus que ele tome o meu coração, e o coloque diante de Cristo, e quando estiver ali, que ele continue ali. Com efeito, muitas vezes eu não sei o que orar ­­(eu sou tão cego), nem como orar (eu sou tão ignorante); somente (bendita Graça) o Espírito ajudando nossas enfermidades [Rm 8.26].”

Aqui está um puritano que obviamente batalha, como muito de nós, com a oração.

Às vezes, os cristãos caem em um “círculo vicioso de oração” e acham difícil acabar com esse círculo. Não é que eles desistiram de orar, mas eles parecem desistir de gastar tempo a sós com o Senhor naquilo que os puritanos chamaram de “oração privada e fervorosa” (ver Hebreus 5:7).

Evidentemente, não há uma regra estabelecida sobre que frequência e duração devem ter nossas orações. Ainda assim, nós oramos sem cessar (1 Tessalonicenses 5:17); devemos orar em todo tempo (Efésios 6:18) e oramos subitamente por causa de necessidades e ocasiões (Neemias 2:4).

A Bíblia também nos dá exemplos daqueles que pareciam ter horários escolhidos ou específicos em que se dedicavam à oração (Mateus 6:6). Considere Daniel, que orava três vezes ao dia, “como também antes costumava fazer” (Daniel 6:10). “Subiu Pedro ao terraço para orar, quase à hora sexta” (Atos 10:9). E nosso Senhor Jesus que “retirava-se para os desertos, e ali orava” (Lucas 5:16).

Considerando que a oração é difícil, como Cristo nos motiva a orar? Em Mateus 6:6, ele promete a seus discípulos que seu Pai os recompensará pelo que eles fazem (isto é, orar) em segredo. Perceba o quanto a palavra “recompensa” aparece somente neste capítulo.

Nós precisamos nos questionar se adequadamente cremos nas palavras de Mateus 6:6. Você realmente crê – e deveríamos crer – que Deus nos recompensará? Se nós crêssemos, certamente gastaríamos muito mais tempo na oração em secreto do que fazemos. Não temos porque não pedirmos. Não pedimos porque nos falta fé (Mateus 21:22).

Fé é a mão que suplica a Deus: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6).

Cristo, o homem de fé por excelência, certamente entendeu esse conceito em sua vida de oração. De fato, ele orou por sua recompensa: “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (João 17:5).

Eu não sei precisamente como o Senhor nos recompensará pelo que fazemos em segredo. Algumas vezes, as respostas à oração são óbvias ou imediatas. Às vezes, ele nos recompensa ao não nos dar o que (erroneamente) pedimos. E há orações que sequer podem ser respondidas em vida (veja a oração de Estêvão em Atos 7:59-60, que pode ter resultado na conversão de Saulo de Tarso; ou perceba como a oração de Moisés para ver a glória de Deus em Êxodo 33:18 foi respondida na Transfiguração).

Mas eu sei disto:

As recompensas do Pai vêm da graça: “É chamado recompensa, mas é pela graça, não por dívida; que mérito pode haver em mendigar?” (Matthew Henry).

E ele tem prometido recompensar seus filhos quando eles oram em secreto, e somente essa motivação deveria ser o suficiente para nos levar aos nossos “quartos de oração” onde pedimos para receber.

Mark Jones
Traduzido por Josaías Jr no Reforma21
Visto primeiro em Púlpito Cristão


Momentos de Reflexão

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terça-feira, 8 de setembro de 2015

A raiz da corrupção

Por: Markus Steiger

Nos dias atuais a palavra corrupção é constantemente usada tanto nos noticiários como nas conversas. Quando pensamos e falamos de corrupção, a relacionamos rapidamente aos governantes, políticos, grandes empresários, clubes de futebol ou partidos políticos. Mas será que a corrupção somente se resume a estas pessoas? Será que nós em nossas atividades, maneiras de pensar ou atitudes também não somos de alguma forma corruptos? Nunca ficamos com troco a mais quando o vendedor se confundiu? Nunca furamos o sinal vermelho quando estávamos apressados? Nunca olhamos e baixamos filmes e músicas de forma ilegal? ...

Estamos frequentemente procurando formas de tirar vantagem das situações ao nosso redor para o nosso próprio conforto, ou seja, estamos praticando a corrupção.

Pode-se definir o significado da palavra corrupção em 3 pontos...:

1. Ato ou efeito de corromper ou corromper-se;

2. Decomposição física de alguma coisa; putrefação;

3. Modificação das características originais de algo.

Foi justamente este terceiro aspecto que aconteceu com o ser humano. Após a criação do homem por Deus, segundo a Sua imagem e semelhança, aconteceu a queda do homem ao desobedecer a Deus no Jardim do Éden. Desde então, todo ser humano nasce em pecado, ou seja, as características originais do homem foram modificadas. Em outras palavras: o homem corrompeu-se.

A pergunta que nos vem é: “Qual é a raiz dessa corrupção?”

A Bíblia nos dá a resposta. Em Mateus 15.19-20a, ela afirma:

“Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem”.

E em Jeremias 17.9 está escrito:

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?”

Então, se todos nós estamos contaminados pelo pecado, somos todos corruptos perante Deus. Mas existe alguma saída para este problema? Há esperança para o ser humano? A raiz da corrupção pode ser cortada?

Sim, Deus mesmo providenciou a saída dando Seu próprio e único Filho, Jesus Cristo, para morrer pela nossa culpa na cruz. Lá nessa cruz Jesus levou sobre Si todos os nossos pecados e assim podemos obter perdão e uma nova vida. Se reconhecemos que do nosso coração não procedem coisas boas e aceitamos a salvação oferecida por Deus – através de Jesus – nosso coração será transformado. Ele perdoará nossos atos de corrupção e nos dará uma nova vida!

Aceite hoje mesmo esta oferta de salvação que Deus faz a você!


Markus Steiger
Fonte: www.ajesus.com.br

Momentos de Reflexão

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terça-feira, 28 de julho de 2015

Não me odeie porque sou arminiano

Por: Roger E. Olson
Publicado em: Christianity Today, 6 de setembro de 1999


Meus amigos reformados algumas vezes me tratam como inimigo, mas na verdade precisamos uns dos outros.

Durante os grandes avivamentos do século dezoito, John Wesley e George Whitefield pararam de cooperar um com o outro devido às suas diferentes crenças acerca da predestinação. E embora eles finalmente se reconciliaram, sua divergência persiste em debates ocasionais de evangélicos americanos sobre a soberania de Deus e as doutrinas da eleição e do livre-arbítrio.

Apesar desta história, a aliança evangélica pós-segunda guerra mundial mantém juntos crentes calvinistas e arminianos dentro de um grande movimento. Pelo menos há, tanto igrejas membros da Associação Nacional de Evangélicos arminianas em sua orientação teológica, quanto reformadas...

Mas agora, sinais de grande tensão dentro da aliança estão aparecendo, incluindo uma nova estridência e agressividade da parte de teólogos em alguns círculos reformados mais conservadores. Como um inveterado arminiano assim como evangélico, e como alguém que se preocupa profundamente com a unidade da comunidade evangélica, acho que isto é muito lastimoso.

Alguns destes teólogos acham que o evangelicalismo enfrenta uma crise que se concentra na questão da predestinação. “Cristãos que negam a eleição incondicional e a graça irresistível podem ser genuinamente evangélicos?” eles perguntam. Michael Horton, professor no Seminário Teológico de Westminster, na Califórnia, afirma na revista Modern Reformation que “arminiano evangélico” não é uma opção mas um oxímoro. “Um evangélico”, ele diz, “não pode ser arminiano mais do que um evangélico pode ser um católico romano”. Até mesmo o grande reavivalista arminiano John Wesley é suspeito de uma fé evangélica defeituosa por Horton e alguns de seus colegas em duas organizações, a Christians United for Reformation (CURE) e a Alliance of Confessing Evangelicals (ACE). Estes e outros movimentos evangélicos contemporâneos buscam restabelecer e entronizar o monergismo – a crença na atividade única e soberana de Deus na salvação – como crucial ao evangelicalismo autêntico.

Em anos recentes, uma enchente de livros e artigos editados e escritos por líderes acadêmicos evangélicos reformados (como R. C. Sproul do Ligonier Ministries) têm levantado questões sobre a validade das credenciais evangélicas de todos e cada um dos protestantes arminianos que negam a eleição incondicional e afirmam a graça resistível. A ACE escreveu a “Declaração de Cambridge”, que criticou, entre outras supostas aberrações entre os evangélicos, a crença de que os seres humanos podem cooperar com a graça regeneradora de Deus.

Espero por outro período de tranquilidade entre nós que cremos na capacidade da alma de cooperar com a graça regeneradora (arminianos) e aqueles que crêem que a graça regeneradora deve preceder até mesmo o arrependimento e a fé (calvinistas).

Quando iniciei o seminário eu era filho de um pregador pentecostal convencido a me tornar um “esmurrador de púlpito” teologicamente instruído. Eu me graduei numa “aspirante” a universidade acadêmica teológica completamente evangélica pós-pentecostal. Enquanto no seminário, eu descobri que alguém poderia ser cheio do Espírito e também intelectualmente sério, aberto a pontos de vistas diversos dentro da mais ampla herança evangélica, e até mesmo teologicamente reformado! Essa revelação veio a mim através das vidas e ensino de professores como Ralph Powell, Al Glenn, Sam Mikolaski e James Montgomery Boice. Revistas como a Eternity e a Christianity Today ajudaram a transformar minha anteriormente mais estreita ideia de cristianismo evangélico “pleno” autêntico. Mas passando por isso tudo, e apesar de sérias lutas com seus problemas, eu conservei o Arminianismo de minha herança holiness-pentecostal.

Dois conselhos que aprendi do meu mentor evangélico no seminário, um batista moderadamente reformado, se fixaram especialmente em minha mente. Durante a recepção, imediatamente após a cerimônia de graduação, Ralph Powell me puxou para o lado, e da maneira mais tocante, característica de um avô, disse: “Roger, jamais perca sua excelência evangélica”. Sabendo que eu planejava continuar minha educação teológica numa universidade secular, ele não poderia pensar num conselho de despedida melhor para o seu jovem protegido. Nem eu poderia. Sempre tenho lembrado de sua exortação afetuosamente e dado meu melhor para satisfazer seu desafio.

O outro conselho veio mais cedo. Powell estava preocupado com minhas crenças arminianas um tanto firmes. Um dia ele me levou à parte e disse, “Roger, você deve saber que o Arminianismo geralmente tem levado à teologia liberal”. Como muitos teólogos reformados, ele acreditava que uma ênfase arminiana no livre-arbítrio concede poder demais à humanidade e por essa razão contém um impulso humanista. Embora apreciei sua admoestação implícita, eu sabia de minha própria experiência que isto não era inteiramente verdadeiro. Desde então, tenho me esforçado para provar que a teologia arminiana e uma excelência evangélica podem ser combinadas confortavelmente.

Teologia Tulip – fabricada na Holanda

A teologia arminiana não começou na Armênia. Na verdade, ela não tem nada a ver especificamente com aquela parte da Ásia. O Arminianismo é uma designação derivada do nome de um teólogo holandês que morreu em 1609 no auge de uma controvérsia envolvendo a doutrina da predestinação. Jacob Arminius rejeitou algumas das doutrinas do Calvinismo enquanto aceitava outras. Ele estudou sob o sucessor de Calvino em Genebra, Theodore Beza, mas veio a repudiar algumas das crenças de Beza, tais como a eleição incondicional e a graça irresistível, em favor da eleição condicional, o livre-arbítrio e a graça preveniente, resistível.

A contraparte fielmente reformada em teologia na Universidade de Leiden era Franciscus Gomarus – outro aluno de Beza – que insistia que as doutrinas que Arminius rejeitou eram partes integrantes da ortodoxia teológica reformada.

Os seguidores de Arminius na Holanda ficaram conhecidos após sua morte como remonstrantes, e alguns deles formularam um documento conhecido como a Remonstrância, no qual eles detalharam sua rejeição da teologia calvinista de Gomarus. O resumo da fé reformada de Gomarus tinha cinco pontos (a famosa fórmula “TULIP”): depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e a perseverança.

Arminius mesmo nunca negou o primeiro e o último dos cinco pontos, e seus seguidores os debateram entre si por séculos. Resumidamente afirmados, os “cinco pontos” rejeitados pelos remonstrantes significam (em ordem) que os humanos são todos (com a exceção de Jesus Cristo) nascidos completamente mortos espiritualmente e incapazes de fazer qualquer coisa agradável a Deus por causa da herança da natureza caída de Adão; Deus predestinou certas pessoas para receber perdão e vida eterna, e a seleção de Deus de forma alguma foi condicionada pelas vidas ou decisões dos eleitos; Cristo morreu na cruz para proporcionar sacrifício expiador para os pecados somente dos eleitos; Deus comunica a graça regeneradora aos eleitos de tal forma que eles não podem ou querem resistir; e os eleitos de Deus irão perseverar em estado de graça até a salvação final.

Os principais ministros reformados e líderes políticos das Províncias Unidas dos Países Baixos – das quais a Holanda era o estado mais proeminente – se encontraram no Sínodo de Dort de novembro de 1618 a janeiro de 1619 e condenaram os remonstrantes como heréticos. Dort afirmou os assim chamados cinco pontos do Calvinismo como ortodoxos e forçaram os seguidores de Arminius ou a retratar suas crenças no livre-arbítrio, eleição condicional, graça resistível e expiação ilimitada ou a serem banidos da Igreja Reformada e dos Países Baixos. Alguns líderes arminianos, tais como o estadista holandês Hugo Grotius, foram presos. Um foi decapitado. Nesses dias não era tão fácil separar teologia e política como fazemos hoje em dia.

Como resultado do Sínodo de Dort, os arminianos se espalharam para outros países e encontraram refúgio em outros ramos do Cristianismo protestante. Os menonitas e outros anabatistas já criam quase a mesma coisa sobre a eleição divina e a salvação como muitos dos arminianos: A eleição se refere ao pré-conhecimento de Deus daqueles que livremente responderiam ao evangelho conforme fossem capacitados pela graça preveniente. A teologia arminiana encontrou aceitação dentro da Igreja da Inglaterra, embora muitos nessa igreja resolutamente se opuseram a ela em favor da teologia reformada.

Gradualmente os arminianos se dividiram em dois grupos, que Alan P. F. Sell – um intérprete moderno da história da controvérsia reformada-arminiana – classifica como “Arminianismo da cabeça” e “Arminianismo do coração”. Os primeiros se inclinaram ao Deísmo e à teologia liberal. Muitos finalmente se tornaram unitários. Os últimos foram fortemente influenciados pelo pietismo alemão e enfatizavam a conversão pessoal e a santificação.

John Wesley foi o principal “arminiano do coração” no século dezoito, e seu movimento metodista foi profundamente caracterizado pela teologia arminiana do “livre-arbítrio”. Àqueles evangélicos de seu dia, que o acusavam de ter tendências humanísticas e católicas por causa de sua rejeição da eleição incondicional e da crença no livre-arbítrio, Wesley afirmou a absoluta necessidade da graça preveniente (capacitante mas resistível) de Deus para superar a ferida mortal do pecado e ter livre-arbítrio suficiente para aceitar ou rejeitar a graça salvadora responsavelmente.

Os primeiros batistas foram divididos por esta controvérsia reformada-arminiana. Os pregadores e as congregações batistas que adotaram as doutrinas calvinistas da eleição incondicional, expiação limitada e a graça irresistível vieram a ser conhecidos como “batistas particulares”, enquanto os que seguiram os ensinos arminianos foram chamados de “batistas gerais”.

Reavivalistas e seus conservos durante os Grandes Avivamentos dos anos 40 do século dezoito e início do século dezenove na América frequentemente se dividiram em tais linhas teológicas. Jonathan Edwards da Nova Inglaterra foi um gênio na defesa de uma forte visão reformada da soberania de Deus e da depravação do homem. Charles Finney, um século mais tarde, promoveu uma versão extremada do Arminianismo. Todo o Movimento de Restauração que deu origem às Igrejas de Cristo e Igrejas Cristãs Independentes era arminiano, como foi o movimento Holiness e seus descendentes, o movimento pentecostal. Ambos, Dwight L. Moody e Charles Spurgeon, por outro lado, eram calvinistas.

Todos na família

Eu fui criado espiritualmente no âmago do Cristianismo evangélico arminiano. Algumas das minhas mais vívidas lembranças da infância são de transpirar nas noites de verão debaixo do tabernáculo lateralmente aberto dos Acampamentos Nazarenos de Iowa em West Des Moines. “Santidade ao Senhor!” declarava a faixa sobre o palanque; centenas – talvez milhares – de adoradores Holiness e pentecostais, todos à minha volta, gritavam e cantavam e louvavam o Senhor até tarde da noite. Nossa própria pequena denominação pentecostal, como o maior movimento Holiness-pentecostal, era inteiramente arminiana em sua orientação teológica. A vontade universal de Deus pela salvação de todos e a liberdade de todos para crer e receber a mensagem do evangelho era fundamental à nossa visão de Cristianismo evangélico. Não havia nenhuma possibilidade da teologia liberal invadir nossa teologia. Nenhum grupo de cristãos na história jamais creu mais apaixonadamente na Bíblia como a Palavra escrita sobrenaturalmente inspirada e infalível de Deus. A santidade e a majestade de Deus eram também centrais à nossa pregação e ensino, apesar de que a soberania de Deus era interpretada como geral antes que meticulosa. Para nós, Satanás era um demônio real – um cachorro louco numa corrente longa – e de forma alguma o “Satanás de Deus”. E todavia, críamos e ensinávamos que Deus finalmente venceria a guerra espiritual cósmica e que Satanás poderia somente descarregar tanta destruição conforme Deus o permitia assim fazer.

As reuniões de família eram eventos fascinantes. Minha família mais ampla incluía, de ambos os lados, cristãos de vários pontos de vistas, e muitos deles eram ardentes e francos acerca de suas crenças. Do lado do meu pai, a maioria dos parentes eram ou Holiness ou pentecostais, e as reuniões de família geralmente se dividiam em discussões acaloradas sobre a santificação plena e o falar em línguas. A família de minha madrasta incluía pentecostais e cristãos reformados. Embora eles nunca discutiram abertamente sobre questões teológicas, me lembro bem que ambos os lados da família olhavam com uma certa desconfiança para a teologia do outro. Meus parentes da Igreja Reformada Cristã do norte de Iowa não estavam tão seguros sobre o emocionalismo e a ênfase no livre-arbítrio entre aqueles de nós que sustentávamos e praticávamos o Pentecostalismo. Meus pais, tias e tios pentecostais – muitos deles pastores e missionários – claramente se admiravam de como calvinistas ferrenhos podiam ser cristãos evangélicos. E todavia todos amavam e aceitavam um ao outro apesar de suas diferenças teológicas.

No colégio da Bíblia, fui doutrinado contra a teologia reformada. A maioria de meus professores pentecostais e muitos dos oradores convidados nas capelas e assembleias ferventemente se opunham não apenas à eleição incondicional e à graça irresistível (a expiação limitada não valia nem a pena debater!), mas também à segurança eterna. Quando o evangelista pentecostal Jimmy Swaggart publicamente declarou que o Calvinismo é uma “heresia,” ele estava apenas tornando público o que muitos Holiness-pentecostais pensavam e ensinavam mais discretamente por anos.

Mas algo continuava incomodando minha mente, me fazendo duvidar da imagem extremamente negativa da teologia reformada que me passavam no colégio da Bíblia. Alguns de nossos livros escolares eram escritos por estudiosos calvinistas evangélicos. Um de nossos livros escolares era uma coleção de sermões de Charles Spurgeon. Enquanto no colégio da Bíblia, comecei a ler a revista Eternity e me apaixonei pelo grande professor presbiteriano evangélico Donald Grey Barnhouse – um pacífico calvinista cujos escritos também exigiam que lêssemos. A Eternity abriu para mim o evangelicalismo tolerante que incluía tanto arminianos quanto calvinistas. E então havia meus parentes reformados cristãos, cujas vidas e testemunhos eram tão apaixonadamente evangélicos quanto qualquer pregador zeloso completo.

Um ponto crítico em minha peregrinação espiritual e teológica aconteceu em um funeral. O pastor reformado cristão da tia Margaret, em Kanawha, Iowa, pregava um dos sermões mais evangélicos que eu já tinha ouvido. Ele desafiou todos os presentes a dar suas vidas a Jesus Cristo assim como Margaret tinha feito. A discrepância entre fé e prática finalmente irrompeu-se numa rebelião completa contra a polêmica anti-calvinista que eu tinha ouvido de líderes e professores pentecostais. Enquanto eu não podia concordar com todos os cinco pontos da TULIP calvinista – especialmente a eleição incondicional, a expiação limitada e a graça irresistível – eu sabia que a “barraca” do Cristianismo evangélico autêntico era maior e mais ampla do que eu tinha sido levado a acreditar. Essa convicção se fortaleceu enquanto bebia intensamente das fontes de teologia reformada evangélica por todos os meus estudos no seminário e na universidade.

Enquanto conservava minhas crenças arminianas, minha mente evangélica se expandiu e se aprofundou enquanto lia teólogos reformados como G. C. Berkouwer, Bernard Ramm, Donald Bloesch, J. I. Packer e Francis Schaeffer. Eles me mostraram novas dimensões das doutrinas de Deus e da salvação que estava faltando ou tinha sido obscurecida no Arminianismo de minha juventude e início de minha educação teológica: a diversidade misteriosa, santa de Deus; a soberania grandiosa de Deus sobre a natureza e a história; a completa impotência da humanidade para realizar qualquer bondade ou até mesmo decidir aceitar os benefícios do sofrimento e morte de Cristo à parte da graça.

Tenho aprendido desde então que estes temas não estão faltando na teologia arminiana clássica, mas eu tive que aprendê-los de evangélicos reformados. Eu saí de meus estudos teológicos convencido de que minha teologia arminiana, embora fundamentalmente correta, carecia de profundidade e que ela poderia ser enriquecida pela herança do Cristianismo reformado. Também sai convencido de que a teologia reformada – particularmente em suas formas mais consistentes – carecia da observação maravilhosa do amor universal de Deus por suas criaturas humanas tão evidentes na melhor de minha própria tradição arminiana. Eu estava convencido de que a comunidade evangélica precisa tanto de George Whitefield quanto de John Wesley, e que seus herdeiros precisam um do outro para atingir a beleza do equilíbrio.

Por algum tempo no começo de minha carreira como teólogo evangélico, eu tentei viver como um pacífico arminiano trabalhando tranquila e discretamente no mundo amplamente reformado da teologia evangélica prevalecente. Encontrei muitos companheiros arminianos ao longo do caminho que muitas vezes preferiam chamar-se a si mesmos de “moderadamente reformados” ou “calminianos”, e gradualmente foi ficando claro que para muitos – talvez a maioria – teólogos evangélicos fora dos círculos estritamente wesleyanos ou pentecostais, arminiano é uma palavra secreta para semipelagiano (a heresia da crença na iniciativa humana na salvação) se não “humanismo disfarçado”.

Um dia um amigo dirigiu-se a mim em particular e me perguntou com grande preocupação se meu arminianismo poderia ser evidência de um humanismo disfarçado em meu pensamento. Era para mim a primeira salva de artilharia em uma nova batalha pela mente evangélica no qual eu me encontraria preso no meio. Tenho visto uma declaração de princípios de ortodoxia evangélica por auto-proclamados “evangélicos confessos” – um de meus professores do seminário entre eles – que coloca limites que me excluiria junto com outros arminianos da comunidade evangélica. (Estes incidentes me fazem lembrar, quando jovem, da minha própria tradição Holiness-Pentecostalista que tendia a fazer o mesmo com a teologia calvinista). Uma nova ocorrência de conflito e exclusão sobre esta questão não pode servir qualquer propósito útil senão para dividir, excluir e enfraquecer a frágil unidade evangélica tão cuidadosamente construída e preservada durante as últimas cinco décadas.

Estou firmemente convencido de que os evangélicos arminianos e reformados precisam uns dos outros ainda que não tenho esperança de um meio termo híbrido ou consistente emergindo deles. Se isso fosse possível, teria acontecido há muito tempo atrás. Mentes brilhantes e biblicamente comprometidas têm trabalhado nestas questões de interpretações por centenas de anos sem chegar a tal combinação consistente. Não vejo problema se alguns evangélicos querem afirmar algo chamado “Calminianismo” – o que eu somente posso reconhecer como uma mistura evangélica paradoxal e portanto sem firmeza. E eu percebo que muitos cristãos evangélicos não se identificam especificamente nem com o Arminianismo nem com o Calvinismo.

Mas alguém ou crê que a graça é resistível ou crê que ela não é. Não pode ser ambos da mesma maneira ao mesmo tempo. Alguém ou crê que a eleição – um conceito completamente bíblico – é incondicional ou não. Não pode ser ambos da mesma maneira ao mesmo tempo. Alguém ou crê que a providência divina sobre a natureza e a história é meticulosa e absoluta ou não. Em algumas destas questões teológicas cruciais, sobre as quais a Bíblia fala frequentemente, alguém deve escolher um caminho ou o outro, e infelizmente, ou a Escritura não é inteiramente clara ou nossas mentes estão tão obscurecidas pela finitude e pela queda para chegar a uma resposta definitiva que possa ser imposta como a única possível interpretação para todos os que crêem na Bíblia.

Não temos escolha

Alguns de nós não podem deixar de ser arminianos porque quando lemos a Bíblia vemos como seu tema predominante o amor universal de Deus e seu desejo pela salvação de todos e pela inclusão de todas as pessoas em seu reino. Não o “humanismo disfarçado”, mas passagens como 1Tm 2:4; 2Pe 3:9, e Ez 33:11 (para não mencionar Jo 3:16,17!) nos convence de que Deus não exclui ninguém de seu amor e comunhão eterna por alguma pré-ordenação secreta e controle misterioso. Não a filosofia moderna, mas passagens como Lc 6:47 e 9:24, At 7:51 e Ap 22:7 nos convence de que aos humanos são dados o tremendo dom da liberdade para aceitar ou resistir a graça salvadora de Deus e o dom do Espírito Santo. Nada disso, entretanto, significa limitação da soberania de Deus ou um ganho meritório da salvação pelo esforço humano.

Nós arminianos clássicos – nem todo arminiano é um arminiano clássico – cremos que Deus poderia controlar tudo mas escolhe estar no comando ao invés de controlar tudo a todo instante. A auto-limitação de Deus não impugna a majestade e a soberania de Deus.

Também acreditamos com Jacob Arminius e John Wesley que a graça preveniente é a única base para a livre aceitação da graça salvadora de Deus. Sem ser anteriormente despertado, chamado e capacitado, todos os humanos são pecadores demais para escolher livremente aceitar a oferta de Deus da graça salvadora. Em nossa opinião, que a salvação é aceita livremente não invalida sua natureza como uma completa dádiva. Por compreender e fielmente comunicar o tema revelacional do amor e da graça universal de Deus, os arminianos devem ser elogiados e estimados.

Alguns evangélicos não podem deixar de ser reformados e calvinistas porque, quando lêem a Bíblia, eles vêem seu tema predominante como a majestade transcendente, o poder e o controle soberano de Deus. O exemplo clássico de Romanos 9-11 é prova suficiente para eles que a providência é absoluta e meticulosa e que a eleição é incondicional e a graça é sempre irresistível. Eles acham os mesmos temas e doutrinas ecoando por toda a Escritura, incluindo Isaías 6, Am 3:6 e 4:13, João 17 e Efésios 1.

Além disso, se a salvação é verdadeiramente um dom gratuito como Paulo ensina em Ef 2:8-10, de forma que ninguém que é salvo pode possivelmente se gabar, então, os calvinistas afirmam, ela deve ser dada à parte de qualquer atividade ou cooperação do lado do pecador para recebê-la. De outra forma, a pessoa redimida poderia gabar-se. O padrão do testemunho bíblico para Deus e seu plano providencial como percebido pelos cristãos reformados os força a reconhecer e confessar a pré-ordenação incondicional de todas as coisas sem limitação ou exceção. Por compreender e fielmente comunicar o tema revelacional da grandeza de Deus e da dependência humana, os calvinistas devem ser elogiados e estimados.

Ainda que estes dois grupos da comunidade evangélica não podem concordar – e parece improvável que qualquer um deles alguma vez persuadirá todos os outros a “converter” para o seu ponto de vista – eles podem e devem aceitar um ao outro como irmãos e irmãs em Cristo e reconhecer seus laços evangélicos comuns. Esta tem sido uma das forças da aliança evangélica do mundo pós-segunda guerra mundial. Para o bem maior do reino de Deus, cristãos biblicamente comprometidos, centralizados em Cristo, têm trabalhado juntos num espírito de respeito e aceitação mútuos para a propagação do evangelho e para o alívio do sofrimento humano apesar das diferenças de interpretação das doutrinas da eleição e providência. Seus inimigos comuns da acomodação ao secularismo e da flagrante heresia dentro das denominações reconhecidas têm fortalecido seu foco em sua crença comum na autoridade da Escritura, divindade de Cristo, salvação pela graça apenas, por meio da fé apenas, e outras grandes verdades da Bíblia e da fé cristã histórica. O espírito semelhante a Cristo do amor e da aceitação pacífica das diferenças de opinião sobre questões secundárias têm grandemente acentuado a influência desta aliança evangélica na sociedade.

Cada vez mais acusações imoderadas de quase heresia dentro da aliança evangélica sobre questões que concordamos em discordar pacificamente pode simplesmente minar e enfraquecer seu testemunho. Ao invés de dizer, “Vejam como eles amam uns aos outros!”, os não-evangélicos dirão, “Vejam como eles brigam e disputam entre si!”. Quem pode culpá-los?

A verdade importa, mas nem toda verdade importa igualmente. Algumas coisas nunca saberemos com certeza até que as lentes escurecidas sejam removidas e todos veremos “face a face”. Nesse meio tempo, precisamos aprender como respeitar e apreciar um ao outro em humildade enquanto defendendo nossas próprias interpretações preferidas das questões bíblicas debatíveis sobre a soberania divina, a eleição, o livre-arbítrio e a resistibilidade da graça.

Para esse fim eu desafio meus companheiros arminianos evangélicos a fazer como tenho feito: Bebam intensamente das fontes do pensamento evangélico reformado e elogiem os cristãos calvinistas por sua compreensão da glória de Deus e da completa graciosidade da salvação. Admirem e busquem imitar seu amor pelo pensamento cristão integrante e sua paixão por transformar a cultura. Evitem estereótipos e caricaturas do Calvinismo, pois eles não fazem juz à sua riqueza e profundidade. Todos os evangélicos devem à herança de Calvino, John Knox, Edwards, Whitefield, Spurgeon e Schaeffer.

A meus colegas evangélicos calvinistas, eu convido a dar a nós arminianos o benefício da dúvida: Ainda que vocês não possam ver como podemos entender Deus como “no comando” mas não “no controle” (soberano mas não todo-determinativo), entendam e aceitem que adoramos a Deus como majestoso, todo-poderoso e misterioso em beleza e poder. Percebam, ainda que não possam inteiramente entender, que nós arminianos afirmamos a salvação como uma dádiva completa da graça imerecida, ainda que ela deve ser aceita livremente. Leiam Arminius, Wesley, Miley, Dale Moody, Grider, Dunning e Oden. Todos afirmam sobre bases bíblicas que a eleição é condicional e a graça resistível, e todavia que a justificação é pela graça apenas por meio da fé apenas, livre, completa e imerecida.

Desde esse dia, no funeral da tia Margaret, tenho me associado com vários evangélicos reformados e aprendido a apreciar tanto eles como sua teologia ainda que permaneço convencido de minha própria perspectiva tanto biblicamente quanto logicamente. Tudo que eu peço é que eles retribuam a gentileza e aceitam aqueles de nós que somos seus irmãos e irmãs evangélicos na fé apesar de sua própria convicção da superioridade de sua teologia.

Certamente podemos aprender a trabalhar e testemunhar e adorar juntos novamente como fizemos no passado. Até John Wesley e seu companheiro calvinista George Whitefield refizeram sua amizade antes que morreram. Wesley pregou no funeral de Whitefield. Foi tudo para a glória de Deus e seu reino eterno que ele fez.

Roger E. Olson
Fonte: arminianismo.com
Tradução: Paulo Cesar Antunes


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Roger E. Olson, editor conselheiro da Christianity Today, é autor de A História da Teologia Cristã (Editora Vida, 2000).





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